Existe vida inteligente fora da Terra?

Estamos sozinho no universo?
Não. A explicação é simples:

 
o universo é grande pra caralho

Sendo infinitamente extenso, por menor que seja a probabilidade de surgir um planeta com condições ideais de vida, haverá uma chance gigantesca, estaticamente falando, de acontecer em vários pontos espalhados pelo universo. Isso, levando em consideração as necessidades do seres que habitam a Terra (atmosfera, água, etc). Nada impede de existirem criaturas mais simples ou mais complexas e que não precisem de nada disso. Podem ser parecidos com o homem, extremamente diferentes de qualquer coisa que possamos imaginar, constituídos apenas de energia, infinitamente pequenos, infinitamente grandes, invisíveis ao olho humano, podem não precisar de um planeta e ficarem vagando pelo universo... Enfim, as possibilidades são, literalmente, infinitas. Dessa forma, a chance de estarmos sozinhos no universo é tão pequena quanto existir um ser divino como o descrito na bíblia (ou outro livro sagrado a sua escolha).


Então quer dizer que existe a possibilidade, por mais remota que seja, de um ET de fora de nosso universo ter criado o nosso universo?
Sim. A teoria "Sim City" de que o universo foi criado por um ET inimaginavelmente grande e antigo, com intuito de se entreter com o desenvolvimento das civilizações. Mas o que impede que este ET também não esteja em um universo inimaginavelmente maior, criado por um outro ET inimaginavelmente gigante e mais antigo, para que este pudesse se entreter com o primeiro ET? Além de ser um pensamento circular que não leva a nada (assim como a discussão do motor primário), por que raios eu teria que louvar e viver em função desse ET? Quem disse que ele é bom? Homens nascidos a milhares de anos atrás?


Seriam os deuses astronautas?
E se cada livro sagrado tiver sido ditado (telepaticamente, é claro) por diferentes extraterrestres tentando nos aliciar para uma guerra interplanetária, na qual a energia gerada pelo nosso credo estivesse aumentando suas forças?

Imagem meramente ilustrativa

O ponto que eu quero chegar, é que, tudo é possível ! Quem sabe não exista um universo em cada átomo existente na Terra? Quem sabe nosso próprio universo não faça parte de uma partícula microscópica de um outro universo? As probabilidades são infinitas e eu poderia criar milhares de teorias sobre o universo agora mesmo. Mas sendo seres, supostamente, racionais - seria mais inteligente, criar hipóteses 1) do nada (ex. cientologia, igreja do maradonna); 2) baseadas em um livro escrito a séculos (em uma época em que nem se pensava existir a chamada ciência moderna) cheio de passagens surreais e sem nenhum compromisso em retratar a verdade (ex. catolicismo, islamismo); 3) baseadas na interpretação de um homem sobre um livro escrito a séculos, cheio de passagens surreais e sem nenhum compromisso em retratar a verdade (ex. testemunhas de jeová); 4) a partir dos estudos feitos por cientistas sobre o universo?


A Quarta Opção (a.k.a Como a ciência explica o acaso) 
Uma das maiores justificativas dos religiosos de provarem o design inteligente, é de que existe uma série de condições (desde a proximidade do Sol, até certas peculiaridades do movimento da Terra e composição atmosférica) que se fossem alteradas - por menos que fossem, impossibilitariam a vida no planeta. Logo para que isso ocorresse em "perfeita harmonia", seria necessário uma inteligência para se certificar do cumprimento de todos esses parâmetros. Sendo improvável que isso se desse ao acaso, como então os cientistas podem explicar isso sem recorrer a idéia de um "designer primordial?
A resposta é que por menor que seja a probabilidade de existir um planeta com as características da Terra, astrônomos apontam a existência de cerca de 10^21 estrelas em nosso universo observável (que seria até o último ponto que consiga ser visto da Terra). Esse número (1,000,000,000,000,000,000,000 escrito por extenso) é feito através de estimativas conservadoras (ou seja, chutando baixo) baseadas nos padrões observados nos milhões de galáxias que compõe o universo. Considerando que 10% dessas estrelas tenham um planeta em sua órbita (o Sol têm 8, mas continuemos chutando baixo) - seriam 10^20 planetas. Dessa forma é estatisticamente plausível afirmar que a chance de existir planetas parecidos com a Terra (possibilitando a existência de vida) é altíssima. Tão grande, que até mesmo a possibilidade de existir estágios de vida "mais evoluídos" (as inteligências superiores) é gigantesca.


Mas com tantos planetas, porque logo o nosso foi ter vida?

O simples fato de estar fazendo essa pergunta, implica que você é a confirmação em que é a Terra foi um dos planetas onde isso ocorreu. É lógico, apenas os seres entre os diversos planetas em que a vida surgiu, criada pelo acaso, podem fazer essa pergunta.
Isso porque estamos falando de vida na concepção orgânica, conhecida pelo homem. Se voltarmos aquela discussão das infinitas formas em que ela pode ocorrer (e nós, no auge de nosso desconhecimento não conseguimos nem imaginar - veja bem, não conseguimos nem classificar um vírus como ser vivo ou não) veremos que é muita pretensão achar que estamos sozinhos.

Concluindo...
A única certeza que podemos chegar nesse assunto, é que somos um nada em meio ao infinito que é o universo. Por isso é normal o sentimento de medo do homem, e sua consequente necessidade de criar um amigo imaginário e acolhedor. Porém já passou do tempo em que precisamos amadurecer enquanto humanidade! Chega de abraçar a absurdos criados a milhares de anos atrás! Chega de problemas fúteis! É inacreditável que em pleno século XXI pessoa se matem, apenas por não querer dividir um pedaço de Terra! 

Deixem de pensar pequeno, seu bando de TANGA!

 

Preconceitos - III: Rótulos


Não tem pra onde correr, a sociedade impõe rótulos as pessoas. Se você anda de preto é metaleiro, se tem uma franjinha sebosa é emo, se anda de coleira corrente de prata e Nike Shox é playboy, e por aí vai, existem muitos outros e novos estão surgindo a cada dia. Isso chega até a ser engraçado as vezes, mas em decorrência disso criam-se segregações sociais estúpidas. Eu já vi pessoas deixando de falar umas com as outras com o argumento: "eu hein, ele é [insira seu rótulo aqui]".

Eu nunca tive muito problema com isso porque eu sempre achei uma ideia escrota e sempre conheci as pessoas antes de falar qualquer coisa delas. Mas é fato que isso acaba criando aquilo que geralmente se chama de panelinhas. Até aí tudo bem, não tem muito problema. Mas o buraco é mais embaixo quando você começa a ridicularizar as pessoas. Melhor exemplo que emo eu não poderia dar. Quem nunca fez uma piada sobre emo que atire a primeira pedra, até o subtítulo dessa bagaça é uma piada com emos. Postularam até que todo emo é gay por motivos óbvios desconhecidos. Mas isso nem sempre é legal, quando a coisa perde o teor de brincadeira e passa a ser ofensivo, qual a graça tem? Porque você vai ficar zuando um vegetariano, cara? Ele já é vegetariano, cê não acha que ele já tem problemas demais?
Eu ia por a foto de um emo aqui, mas achei que vocês iriam me xingar por isso.

Eu já tive um amigo emo, ele se mudou pra Bahia. Mas isso não importa, o que importa é que eu fui contra todos os preconceitos sociais que a maioria tem e falei com o cara, o fato de ele ser emo não tornava ele uma pessoa chorona e muito menos insuportável. Até a música emo em si, não é só Simple Plan e My Chemical Romance não, existem bandas emo boas, alguém aí conhece A Day to Remember? E eu sei que eu vou ser apedrejado por ter dito isso, mas whatever.

Essa ideia de rotular as pessoas é legal quando tem um teor claro de brincadeira, mas quando você começa a confundir a brincadeira com seus conceitos sobre as pessoas, e passar a julga-las previamente por conta disso, aí sim é um problema. E não acontece só entre os mais jovens não, como todos devem recordar no programa Britains Got Talent, que é a versão britânica do Idolos, a platéia riu da cantora Susan Boyle quando ela chegou ao palco, quando ela começou a cantar deu para ver um "owned" estampado na cara de todo mundo. Da uma olhada aqui. 
 

Preconceitos - II: Religião


Esse é um dos assuntos mais delicados a se tratar. Eu não sou religioso, não consigo acreditar em meia palavra que está escrita na bíblia, muito menos em deuses. Em outras palavras, eu sou ateu. Mas isso não significa que eu vou sair por aí denegrindo a imagem da sua religião, na verdade eu estou aqui pra defender você, religioso, apesar de geralmente eu não receber o mesmo tratamento de vocês.

A grande questão aqui é o fato de, na maioria das vezes, não existir um respeito mútuo entre os religiosos. O que é bastante contraditório já que a maioria das religiões, se não todas, prega o bem e o respeito ao próximo. Um dia eu estava assistindo um programa evangélico na televisão em que um ex-espírita falava que quando ele foi convertido ao protestantismo, ele levou tudo que ele tinha em casa sobre o espiritismo e queimou na frente de todos, porque aquilo era coisa do Tinhoso. Por um momento eu ri. Mas daí eu notei que aquilo era coisa séria, que aquelas pessoas estavam realmente falando sério. Porque esse ódio todo? O que diabos você tem a ver com os deuses alheios? No final das contas, se você é que está certo, quem vai pro inferno é ele.

Todo mundo tem o direito de escolher a religião que lhe convir*, você acredita no que você quiser e dá o teu dinheiro pra quem você quiser, e eu não posso falar nada em relação à isso. Mas não venha querer me doutrinar, me mostrar a palavra de Jesus, o caminho de Deus ou orar por mim na hora de dormir, você está perdendo seu tempo, acredite. Sabe qual é a pior parte? O maior preconceito é direcionado às pessoas que não tem religião. Quantas vezes eu já ouvi: 


"MAAAS COMO ASSIM VOCÊ NÃO ACREDITA EM DEUS?"


As pessoas começam a te olhar como se você estivesse fazendo propaganda de rodízio de carne em frente a convenção vegan. Você de "um bom menino" passa a ser um perdido da vida, um sem volta, a escória da sociedade. Muitas pessoas acreditam que o fato de eu ser ateu me torna uma pessoa má, alguém que não possui moral e nem valores. Um grupo de pesquisa norte-americano mostrou que o índice de ateus nas cadeias é inferior a 0,2%**. Das duas uma:
Ou isso significa que o rótulo que nos é imposto pela sociedade de imoral não faz sentido nenhum. Ou nós somos mais espertos e não somos pegos pela polícia. Há, catch me if you can.


Alguns podem até falar que isso não existe, que eu estou exagerando:

Você ouviu bem a parte em que ele fala que recebe e-mails de gente falando "eu tinha o Sr. em alta conta, mas daí eu descobri que você é ateu". Orra, o que isso tem a ver com o caráter do sujeito?

Essa coisa toda gira em torno de uma só palavra: respeito. É aquela velha questão, eu tenho que respeitar vegetarianos pelo seu ideal, mas não espere receber o mesmo se você for um adorador do Deus picanha. Eu tenho que respeitar a sua religião, mas raramente esse respeito é mútuo para com os não religiosos.*** 



* Eu discordo disso, a maioria das pessoas segue a religião dos pais, mas isso não é importante para o tópico;
** Eu li isso em uma revista científica, provavelmente a Galileu ou a Super Interessante, na revista eles citavam a fonte da pesquisa, mas minha memória falha;
***Isso não é uma regra, se você é exceção parabéns, merece um biscoito. 
 

40 Minutos

Eram sete da manhã, quando a terrível verdade me atingiu quase como um tiro no joelho. Durante pouco menos de uma hora eu estive por minha conta, sem nenhuma direção para casa, como um Rolling Stone. "Siga em frente", me disse um sábio certa vez, "com esperança em seu coração, e você nunca andará sozinho". Achei incerto, mas acreditei. Me lembro de termos caminhado pela madrugada da Califórnia, ou talvez no Texas, certa vez. Foi quando conheci sua fixação sexual por lésbicas e acidentes de carro. Mas isso é história pra algum outro dia.

O ponto onde eu quero chegar começa ás seis  e vinte, em uma rua fria de uma localidade qualquer. Eu atravessava a cidade. á minha volta, algumas poucas pessoas com expressão vazia, destruídas após uma noite difícil. Andavam como robôs, e seus olhos não fitavam as ruas ou o céu. Era como se cada uma daquelas pessoas tivesse os olhos voltados para dentro, e fitasse a si mesmo. Foi aparentemente, o último suspiro da cidade que então, adormeceu. Aquelas poucas pessoas passaram lentamente, e, aos poucos, desapareceram. Mas não eram mais eles a atrair minha atenção. Eu, cercado pelos muros de concreto, vi, de relance, um breve sinal de vida. Luz e calor no meio da noite vazia.

Eles se moviam quase como ratos, olhando em volta repetidas vezes, como se quisessem se certificar que os predadores se foram todos. Como cães, farejavam o lixo, roendo qualquer coisa que lhes parecesse comestível. A distância não me deixava ver as expressões em seus rostos. Desci as escadas. Dois policiais separavam as pessoas "de bem", que conversavam cansadas, das pessoas "da rua". Me lembro de ter visto duas crianças brigando como hienas por um agasalho. Em volta deles, outras crianças andavam e faziam pose, porque sabiam que aquela ali era a hora delas. Durante o dia eles todos são obrigados a aguentar abusos por parte dos "cidadãos de bem", que nem sequer tem a coragem de os olhar como pessoas. São gente invisível, exceto quando as pessoas querem reclamar. Me lembra aquele negócio da escravidão. "Ah, mas eles não tem alma, cara, não tem problema judiar". Pois bem. Eles aguentaram pacientemente, e agora estavam ali, triunfantes. Agora éramos nós os desprotegidos. Como abutres, eles circulavam famintos e cheios de rancor sobre nossas cabeças, esperando que um boi mais estúpido se afastasse da boiada. Admirei aquilo por algum tempo. Não, sair dali não era problema. A luz refletida no cascalho era quase uma barreira contra o mundo exterior, protegendo as pessoas comuns dos urubus que rondam a noite. 

Saí dali. Aquela proteção me incomodava. E me impedia de ver a coisa toda como eu queria. A fria brisa noturna acabava com qualquer sensação de segurança. É o mal da modernidade: Todos dizem que estão preparados pra enfrentar o mundo, deus e o diabo, mas ainda vivem numa maldita bolha. De qualquer jeito, eu sempre me dei bem com moradores de rua. Não sei se eles conseguem enxergar alguma coisa diferente nos meus olhos opacos e sem vida, se eles sabem que, no fundo, eu tenho algo como eles, se eles vêem que eu consigo enxergá-los (e, por trás deles, suas histórias e angústias) ou se eu simplesmente sou alguém que nem vale á pena perder tempo assaltando. Tanto faz. O movimento dos abutres me entediava, pois eles não estavam ali para viver, e sim pra assustar os vivos. Se contentavam em ser meros fantasmas por poucas horas. Me afastei dali.

...Um homem jazia no chão. As duas mãos cobriam a face, como se até na morte ele se escondesse. Outro gritava, com uma garrafa na mão, e apontava para o falecido. Não fazia questão alguma de fazer sentido, e nem se dirigia a pessoa alguma. Com os anos de experiência, aquele homem já sabia que isso era inútil. Para seus olhos, as pessoas não eram pessoas, mas sim espectros etéreos incapazes de percebê-lo. Não, seus gritos não eram nenhum alerta. Eram só desespero solitário, a ponto do homem usar de sua linguagem mais particular para exteriorizar a angústia. Urros e grunhidos ecoavam pela manhã vazia. Atrás dos prédios, o sol nascia, indiferente e frio.

...Outro homem atravessa a rua, sozinho. Por um breve momento seus olhos se desviam do negro desespero e encontram os meus. É o suficiente. Instantaneamente, ele abriu um sorriso. Os olhos, vermelhos, demonstravam um cansaço excessivo. A baba branca e espessa escorria do canto de sua boca e pingava em sua camisa, mas ele ainda sorria, satisfeito. Sabia que havia sido notado, e que não seria enxotado como um cão.

"A chave", disse ele. "Perdi a chave". Eu nada podia fazer, mas ele ainda se repetiu algumas vezes, como se esperasse algum ato divino do herói que o havia notado. Não havia nada a ser feito, eu não podia ajudar. Como se notasse minha inquietação, ele mais uma vez sorriu, deixando a chave e o desespero de lado. "Pra onde 'cê vai?", perguntou. Coçava a cabeça com seus dedos cobertos de baba, e ainda me olhava com alegria.

"Pra lugar nenhum". A risada simples se tornou então uma gargalhada amigável. "Então você não tem como se perder", disse ele, quase num momento de lucidez. "Não tem como se perder. E eu aqui sem a chave. Esperto é você, que não precisa delas".

...

Uma família de moradores de rua dormia no que, se me lembro bem, era um posto de gasolina abandonado. O contraste da cena seguinte me fez parar por vários minutos e observar o desenrolar daquilo tudo. De um lado da rua, uma mulher saía de casa. Os olhos verdes e vivos eram janelas para seus sonhos, seus planos, sua esperança. Passou por mim com o ar de quem está pronta para um novo dia, pronta para seguir em frente com sua vida. Pouco depois, um homem á minha frente lentamente despertava. Não tinha a menor vontade de se levantar, ou pelo menos era o que o seu olhar vazio me dizia. Talvez preferisse nem ter acordado. Talvez nem mesmo soubesse se estava vivo ou morto. Foi só quando o resto deles acordou que o primeiro homem mostrou algum sinal de esperança. Todos então conversavam, e, apesar de seus olhos ainda parecerem tristes, eles agora possuíam uma frágil esperança.

...

Andando entre uma rua e outra, esperando matar o tempo, uma senhora me para:

"Bom dia, filho. Você quer que eu ponha seu nome na nossa lista de oração de hoje?"
"Agradeço a gentileza, mas não, não quero."
"Mas vai te fazer bem. Jesus vai resolver seus problemas de família, de dinheiro, de amor."
"Não tenho nenhum desses problemas. Não quero sua oração."
"Mas você precisa de Jesus. Todos precisam de Jesus."
"Eu sou ateu, senhora. Não preciso de Jesus, nem da sua oração."
"Ah, mas aí é que você precisa da oração, mesmo! Não quer colocar o seu nome lá?"
"Olha. Você tá vendo aquele homem? Aquele gritando sozinho, com o outro caído do lado. Ele precisa da sua oração. Ele precisa da sua atenção. Vê aquelas pessoas deitadas com os cobertores? Eles precisam da sua oração. Por que você quer a mim quando só precisa olhar pro lado pra encontrar gente necessitada de verdade? Eu não quero a sua oração, não preciso de Jesus e me incomodo com você."

Passei uma hora conhecendo aqueles que se escondem do mundo. Aqueles que você humilha durante o dia porque acha que acordou cedo demais e brigou com a mamãe. Aqueles que você trata como simples pestes que te atazanam durante a parada no semáforo, por motivos inúteis. Pude ver a dor solitária e reprimida daqueles que você trata como sacos de pancada morais. Mas o mais terrível não é ver uma pessoa acordar desejando estar morta. O que é realmente assustador é de repente reparar que isso acontece todos os dias, e vocês são tão covardes que simplesmente fingem que essas coisas são invisíveis.

Não acho que pra mim a história fique completa sem citar o que se passou antes e o que se passou depois. Não que eu me importe com isso. De qualquer modo, só a Madrugada caberia aqui.
 

Avenida Brasil


Às vezes você simplesmente sabe que as coisas vão ficar esquisitas. Todos os sinais que o mundo te dá apontam pra isso. É o que acontece quando você entra em um ônibus quase vazio, exceto pelo motorista com metade do rosto queimado, o cobrador e uma passageira, ambos anões, e uma albina careca. Você desce no meio de um lugar completamente desconhecido e vê um cego na faixa de pedestres, duas velhas - uma tremendo e a outra babando - caminhando, e todas as lojas estão fechadas. E, diabo, as pessoas estão todas comendo peixe e celebrando um sacrifício humano de dois mil anos atrás!

Quando aquele sujeito apareceu, eu sabia que estava pra acontecer. Quer dizer, ele era provavelmente a única pessoa normal ali, no meio do Mundo Bizarro. Com certeza, tinha algo de errado. Pois bem, esses são os acontecimentos que se seguiram:

Em primeiro lugar, veio a faca. Não faz muito sentido mostrar uma faca a um cego, de qualquer jeito, mas os dois atravessaram a rua.

"Tu perdeu, mané", disse o homem. "Vamo ali comigo, quietinho, quietinho".
"Mas... o que você quer? É dinheiro?"
"Quietinho, eu disse. Só quero ver a carteira entrando no beco".


Andaram quase como dois irmãos. As pessoas aprendem a fingir na hora do sufoco, de qualquer jeito. Pelo menos aqui. Já era de se esperar, não? Quem são os nossos heróis, no fim das contas?

Temos Pedro Malazartes, que faz de um urubu adivinhão e um punhado de mentiras seu ganha-pão. João Grilo, que foge até do diabo com enganação e esperteza. De manhã vemos no jornal como um gordinho carismático enrolou meio Brasil com lorotas bem contadas e viveu como um rei. Depois do almoço, torcemos pra que Seu Madruga consiga mais uma vez adiar o aluguel. No cinema, ouvimos a história de forasteiros rebeldes, que torcem qualquer lei com suas sub-metralhadoras. Sua violência depois é justificada porque ele "fazia o bem". De noite, tem o maldito Pica-Pau. Baita sujeitinho esperto. Colocamos as crianças pra dormir contando como um gato falante com botas matou um gigante usando de sua lábia e vamos, por fim, orar ao Senhor, o mesmo que pede o sacrifício de filhos só por pirraça. Dá pra imaginar o Altíssimo descendo de seu enorme trono e dizendo "Íáááá! Pegadinha do Malandro!"

O fato é que, nas telas e nos contos de fada, os fins sempre justificam os meios. Fora delas, os meios causam uma baita duma frescura. Entra aquele negócio do "politicamente correto", de você não poder chamar um negro de negro ou um viado de viado. Acho que todo mundo já pensou em mandar esses cuzões todos tomarem no meio de alguma coisa, de qualquer jeito.

Você vê, o racismo mesmo, ele tá mais nos ouvidos do cara do que na boca de quem diz. Quer dizer, o cara diz "e aí, bicha" e a bicha se ofende? Quer dizer, alguém OBRIGA o cara a ser bicha, pra ele ficar tão sentido?

O que me faz pensar naquela faculdade pra negros que criaram agora. Faculdade Zumbi dos Palmares, né? Eu sei lá o nome. Tudo começou com as cotas - o governo dizendo que os negros não tem capacidade pra competir com o resto do mundo. Depois, essa faculdade-quilombo, dizendo que eles precisam de toda uma estrutura de ensino especial. Qual o próximo passo? Banheiros separados? Apartheid? Vocês são todos uns cuzões, porra! E ainda querem dizer que eu é que sou o racista? Cuzões, cuzões, cuzões!

Ah, o cego? Voltou dez minutos depois, com a vareta quebrada, sem os óculos escuros e com a carteira do assaltante. Me olhou com um sorriso esperto no rosto. Aquele de quem sabe que você percebeu a coisa toda. Examinou a carteira, guardou no bolso e riu.

"Ah, onde esse país vai parar? Até os assaltantes são manés hoje em dia, maluco. Cair no conto do cego? Pffff! Fica na paz, irmão".

Agora, o que eu realmente gostaria de saber é como os anões fazem pra puxar a cordinha caso estejam sozinhos no ônibus.
 

A Balada


Priscila se olhava no espelho pela décima quinta vez aquela noite. Conferiu com dedicada atenção se estava tudo em ordem: a densa sombra negra que lhe acentuava a cor dos olhos; o blush
 brilho, cujo poder de transformar os finos lábios em um pedaço de carne extremamente suculento e desejável ela superestimava; o pó-de-arroz, marcando-lhe ainda mais as maçãs do rosto. Tudo deveria estar perfeito – seria mais uma noitedaquelas.

Olhou para o antigo relógio sobre a penteadeira com uma expressão de ansiedade. Já se passava da meia-noite. “Onde estará Verônica, que nunca chega?” A melhor amiga combinara de buscá-la às 21h, e até agora nada. Priscila cruzava os braços meio consternada, como quem já se cansou até de ficar brava. Suspirava, e cada suspiro parecia aumentar-lhe a agonia.

De repente ouve-se palmas vindas do portão. “Verônica, finalmente”, comemorou a menina. Então correu até o armário, pegou a imensa bolsa prateada e, ainda antes de abrir a porta do quarto, olhou-se mais uma vez no espelho. “É hoje”, disse baixinho, enquanto conferia o caimento do vestido em meio a um sorriso quase sensual. A meta estava bem definida: seduzir Pedrão, melhor amigo de Marcos, para que este finalmente perceba aquilo que está perdendo. As mulheres e suas obscuras táticas de conquista.

Enquanto Priscila fechava a porta do quarto, a surpresa: “onde é que a senhorita pensa que vai, mocinha?”, bradou-lhe o pai, olhando sério sob os óculos de meia-lua. “Não quero saber de filha minha saindo essa hora da noite com um marmanjo qualquer”. A moça tentou justificar, apavorada, dizendo que não era nenhum marmanjo e sim Verônica. O velho, porém, parecia irredutível: “eu não criei filha minha para entregar de mão-beijada a qualquer um, não”.

Ela teve um sobressalto. O medo de antes tinha se transformado em ódio. De mão-beijada? Quem aquele cara pensava que era para falar assim dela? Priscila tomou-se de uma raiva que nunca havia sentido antes. Sentia o sangue subindo à cabeça, corando-lhe a face e as orelhas. “De mão-beijada, uma ova, velho safado”, pensou, sem coragem de dizer. Então ela parou, respirou fundo e, com uma calma quase cínica, falou: “não tem nenhum homem na jogada, papai. Eu vou sair com a Vêro”. Depois segurou delicadamente a mão do velho e puxou-o em direção à porta.

Ao entrar na sala, encontraram a mãe sentada no sofá, tricotando. Quando viu os dois passando de mãos dadas a mulher teve um estranhamento. Sabia que aqueles dois não estavam tendo ultimamente uma relação muito amigável, e vê-los assim, de mãos dadas dentro de casa, era anormal. Perguntou, com aquela voz de quem tem medo de ouvir a resposta, “que é que vocês dois estão aprontando?” Seguiram-se segundos de tenso silêncio. Como ninguém respondesse, a mulher tornou a falar, desta vez com mais convicção: “ninguém vai me dizer o que é que está acontecendo”?

A dupla trocou olhares indagadores. Ambos sabiam no que aquela pergunta poderia levar: ela, Priscila, ficaria sem sair de casa por um mês; ele sem sexo. A mãe não precisava de motivo para estas repressões – bastava que alguma coisa destoasse do comportamento usual da casa. Gostava da rotina, a velha. Os dois que estavam em pé soltaram as mãos e ficaram parados a olhar para o nada. O pai tomou-se de coragem e disse: “fizemos as pazes”.

Priscila sorriu um sorriso amarelo e assentiu com a cabeça. A mãe pareceu se contentar com aquilo e até se arrumou na cadeira. Quando ia emitir um parecer, o velho – que enxergou ali uma possibilidade de se dar bem aquela noite – se adiantou: “e é por isso que eu estava levando a Pri até a porta, para mostrar que está tudo bem e que ela pode sair tranqüila esta noite e voltar só na hora que bem entender”. Todos se entreolharam maliciosamente.

A menina agradeceu ao pai, beijou a mãe no rosto e saiu cantarolando na direção da porta. O velho, safado, tratou logo apagar as luzes e ir buscar um vinho. Voltou da cozinha com duas taças numa mão, uma vela acesa na outra e aquela garrafa de Cabernet Franc safra 78 que guardava a sete chaves já aberta debaixo do braço. Depois de tudo arrumado, copos cheios e vela estrategicamente posicionada, a luz se acende. O casal se vira e vê a filha parada junto a porta que liga o hall de entrada à sala. “Mãe, a pizza que você pediu chegou”, disse ela, começando a chorar.
 

Preconceitos - I: Racismo

É o mais clássico tipo de preconceito, o que todo mundo conhece, o que o mundo reconheceu que errou ao abolir a escravidão. Ou não.

Eu acho que eu não preciso discorrer aqui sobre como é ridículo você discriminar uma pessoa por causa da cor, seja ela branca, preta, amarela ou colorida, se é que me entendem. O que faz uma pessoa nobre não é a sua cor, mas sim o que ela é, algo que não se descobre com um olhar, nossos olhos não podem ver sob a pele. Não importa que se tenha passado mais de dois séculos desde que William Wilbeforce tenha conseguido abolir o tráfico negreiro na Inglaterra, e mais de um século que a lei áurea tenha sido assinada pela Princesa Isabel, a sociedade é escrota o suficiente para cultivar os seus males.



"Enquanto a cor da pele dos homens valer mais do que o brilho dos olhos, sempre haverá guerra." 

– Bob Marley

Apesar desse brilho dos olhos ser duvidoso, eu poderia dizer que ele é vermelho, a frase é válida.

Wilbeforce dedicou a sua vida a tentar tornar a humanidade mais humana, ao longo de uma década ele lutou contra toda a Câmara dos Comuns tentando mostrar o absurdo que estávamos comentendo. Nelson Mandela é um dos maiores expoentes da atualidade no que diz respeito ao assunto. Quantos tapas na cara a mais a sociedade precisa levar? Mudança? É, eu cheguei a sonhar com isso um dia.
 

25 Citações para Refletir


Não é de hoje que eu tinha vontade de fazer uma coletânea de citações. Acho que essas "férias" são a oportunidade perfeita para isso. Espero que (não) gostem.

Sobre a fé e ciência.
O maior pecado contra a mente humana é acreditar em coisas sem evidências. A ciência é somente o suprassumo do bom-senso – isto é, rigidamente precisa em sua observação e inimiga da lógica falaciosa. - Thomas H. Huxley

A ciência está aberta à crítica, que é o oposto da religião. A ciência implora para que você prove que ela está errada – que é todo o conceito – enquanto a religião o condena se você tentar provar que ela está errada. Ela te diz aceite com fé e cale a boca. - Jason Stock
A ciência tem provas sem certeza. Os teólogos têm certeza sem qualquer prova. - Ashley Montagu

Não tenho medo das perguntas difíceis: tenho pavor das respostas fáceis. - A. Malcot
Tradição se tornou nossa segurança. E quando a mente está segura, ela está em declínio. - Jiddu Krishnamurti

Sobre a morte
Governar acorrentando a mente através do medo de punição em outro mundo é tão baixo quanto usar a força. - Hipácia

Eu não temo a morte. Eu estive inoperante para biliões e biliões de anos antes que eu estive nascido, e não sofri a mais leve inconveniência dela. - Mark Twain

Sobre deus
A palavra Deus, para mim, é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana; a Bíblia, uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis. - Albert Einstein

Não há no mundo amor e bondade bastantes para que ainda possamos dá-los a seres imaginários. - Nietzsche

Deus deseja prevenir o mal, mas não é capaz? Então não é onipotente. É capaz, mas não deseja? Então é malevolente. É capaz e deseja? Então por que o mal existe? Não é capaz e nem deseja? Então por que lhe chamamos Deus? - Epicuro

A crença em Deus subsiste devido ao desejo de um pai protetor e imortalidade, ou como um ópio contra a miséria e sofrimento da existência humana. - Freud

...se Deus existisse, só haveria para ele um único meio de servir à liberdade humana: seria o de cessar de existir. - Bakunin

Onde fica o cemitério dos deuses mortos? Algum enlutado ainda regará as flores de seus túmulos? Houve uma época em que Júpiter era o rei dos deuses, e qualquer homem que duvidasse de seu poder era ipso facto um bárbaro ou um quadrúpede. Haverá hoje um único homem no mundo que adore Júpiter? E que fim levo Huitzilopochtli? Em um só ano – e isto foi há apenas cerca de quinhentos anos – 50 mil rapazes e moças foram mortos em sacrifício a ele. Hoje, se alguém se lembra dele, só pode ser um selvagem errante perdido nos cafundós da floresta mexicana. Falando em Huitzilopochtli, logo vem à memória seu irmão Tezcatilpoca. Tezcatilpoca era quase tão poderoso: devorava 25mil virgens por ano. Levem-me a seu túmulo: prometo chorar e depositar uma couronne des perles. Mas quem sabe onde fica? (...) Arianrod, Nuada, Argetlam, Morrigu, Tagd, Govannon, Goibniu, Gunfled, Odim, Dagda, Ogma, Ogurvan, Marzin, Dea Dia, Marte, Iuno Lucina, Diana de Éfeso, Saturno, Robigus, Furrina, Plutão, Cronos, Vesta, Engurra, Zer-panitu, Belus, Merodach, Ubililu, Elum, U-dimmer-an-kia, Marduk, U-sab-sib, Nin, U-Mersi, Perséfone, Tammuz, Istar, Vênus, Lagas , Belis, Nirig, Nusku, Nebo, Aa, En-Mersi, Sin, Assur, Apsu, Beltu, Elali, Kusky-banda, Mami, Nin-azu, Zaraqu, Qarradu, Zagaga, Ueras. Peça ao seu vigário que lhe empreste um bom livro sobre religião comparada: você encontrará todos eles devidamente listados. Todos foram deuses da mais alta dignidade – deuses de povos civilizados –, adorados e venerados por milhões. Todos eram onipotentes, oniscientes e imortais. E todos estão mortos. - H. L. Mencken

Sobre a religião
Afirmo que ambos somos ateus. Apenas acredito num deus a menos que você. Quando você entender por que rejeita todos os outros deuses possíveis, entenderá por que rejeito o seu. - Stephen Henry Roberts

A religião pode ser comparada a alguém que pega um cego pela mão e o guia, pois este é incapaz de enxergar por si próprio, tendo como preocupação chegar ao seu destino, não olhar tudo pelo caminho. - Schopenhauer

Mitologia é o nome que damos às religiões dos outros. - Joseph Campbell

As pessoas vão à igreja pelos mesmos motivos que vão à taverna: para estupefazerem-se, para esquecerem-se de sua miséria, para imaginarem-se, de algum modo, livres e felizes. - Bakunin

Você diz que acredita na necessidade da religião. Seja sincero! Você acredita mesmo é na necessidade da polícia. - Nietzsche

As religiões são como pirilampos: só brilham na escuridão. - Sebastièn Faure

Sobre a vida
(...) a natureza não é cruel, apenas implacavelmente indiferente. Esta é uma das lições mais duras que os humanos têm de aprender. - Richard Dawkins

A única maneira de conservar a saúde é comer o que não se quer, beber o que não se gosta e fazer aquilo que se preferiria não fazer. - Mark Twain

Daqui vinte anos você estará mais decepcionado pelas coisas que você não fez do que pelas coisas que você fez. Portanto livre-se das amarras. Navegue longe dos portos seguros. Pegue os ventos da aventura em suas velas. Explore. Sonhe. Descubra. - Mark Twain

Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem-se do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido. - Dalai Lama

Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje. Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício. Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo. Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. Tudo depende só de mim. - Chaplin

O futuro não é o que tememos. É o que ousamos - Carlos Lacerda
 

Da universalidade


Não sei exatamente dizer quando foi que o ser humano começou a determinar prescrições e descrições universais, mas é fato notório que tal universalidade se faz bastante presente não só na nossa cultura, mas no que nós conhecemos de outros coletivos. Um fator que, segundo o próprio Lévi-Strauss, se mostra presente em quase todas as culturas é o fato de não entendermos a multiplicidade cultural como fenômeno natural e, como consequência, aceitável. De imediato, um contato direto com outras culturas causa um estranhamento que muitas vezes é interpretado religiosamente, criando assim impasses e incompatibilidades culturais. Não que a origem dessas dicotomias sejam sempre religiosas, utilizei-me desse exemplo aqui apenas com caráter ilustrativo. Tais impasses podem ter origem também, por exemplo, no âmbito econômico.

Historicamente falando, houve uma época em que a pluralidade cultural era interpretada sob uma ótica darwinista, o que deu os subsídios necessários para que se desenvolvesse uma pseudo-ciência que acreditava que encontraria as provas empíricas para determinar uma hierarquia de raças, onde os brancos europeus se situavam no topo. Essa pseudo-ciência era chamada de Eugenia, e foi dela que Hitler se fez valer em seus discursos sobre a criação de uma Alemanha superior, onde só existiria a famigerada raça ariana. Felizmente, com o fim da Grande Guerra e com a revelação das atrocidades cometidas no regime do holocausto, a eugenia deu seu último suspiro antes de ser descartada e qualificada como parte da história que alguns fariam questão de apagar, mas que se deve evidenciar, para que dessa forma se aprenda com os erros do passado.

É nesse contexto que surge um forte sentimento de fraternidade entre os seres humanos, e a partir disso, e com o sentimento de tentar evitar que a história se repita, é elaborada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. É a primeira vez que vocês me veem falar dela aqui, mas não será a última, o ano de 1948 fica marcado como um salto que a humanidade deu para se tornar, como muitos caracterizariam, mais humana.

O texto da carta dos Direitos Humanos se mostra bastante aberto a aceitar as liberdades e direitos civis, como expressar cultura e religião. Tais premissas recebem um forte apoio da teoria relativista antropológica, que nos faz relativizar aquilo que nos é cultural, e portanto considerado normal de acordo com nossos padrões. Sob essa égide, torna-se bastante comum executar o exercício de familiarização com outras culturas, para que sejam expostos a práticas diferentes das ocidentais e possam passar a apenas aceitar aquilo como diferente, e não emitir uma análise essencialmente axiológica como um cidadão ignorante ao relativismo faria. Seguindo esse raciocínio, os argumentos para definir expressões culturais hierárquicas são facilmente desconstruídos.

O meu objetivo ao fazer toda essa introdução é demonstrar, de maneira rápida e sucinta, o argumento acadêmico que é utilizado para fundamentar a afirmação de que não existem culturas melhores ou piores, apenas diferentes. Tal afirmação é corroborada pela Carta dos Direitos Humanos, que preza pela igualdade e pela multiplicidade cultural. A problemática que vem à tona ao considerar isso tudo é bastante controversa e polêmica, e arrisco apostar neste momento do texto que nenhum de vocês, caros leitores, sairá em defesa da expressão cultural tal como ela é ao fim do texto.

Nesse momento, quase posso imaginar que os pensamentos que perpassam as cabeças de meus futuros leitores, indagando a que tipo de expressão cultural eu estou prestes a questionar. Aqui não irei me referir a uma prática em específico, mas a todas as práticas que vão diretamente contra os princípios fundamentais dos Direitos Humanos. Uma delas, que creio que a maioria de vocês já ouviram falar, é a mutilação vaginal, que é muito presente em alguns países africanos, islâmicos e asiáticos. Tal prática consiste, basicamente, na remoção do clitóris para que a mulher não obtenha prazer durante a prática sexual. Outro exemplo, é o infanticídio presente em algumas culturas indígenas, que acontece não por fatores de controle de natalidade, mas muitas vezes por crenças religiosas.

É aqui que fundamento meu questionamento principal: será que as culturas são apenas diferentes? Temos, de fato, a capacidade de sermos frios o suficiente para afirmar que tais costumes são apenas de ordem diferentes das nossas? A carta dos Direitos Humanos, que parecia tão unívoca para mim ao afirmar a igualdade irrestrita de culturas, parece perder força em seu argumento. Como bom ateu, e portanto alguém que acredita na validade do argumento científico, não posso clamar por verdade absoluta e dizer que esses dois exemplos que eu dei são práticas que devem ser consideradas condenáveis sob qualquer ponto de vista. Mas nesse sentido que eu vos apresentei, tenho a certeza ao afirmar para vocês que eu acredito na necessidade da construção de um juízo de valor. Deixando explícito, neste momento, que tal juízo de valor não deve ser, de forma alguma, absoluto, ou seja, as ideias e os valores construídos pelas pessoas devem ser constantemente questionados com a finalidade não de subverte-los, mas de aprimorá-los.
 

Pelo menos vocês têm um dia internacional


É, mulherada. Hoje é aquele dia em que vocês devem agradar seus maridões.

Então, dia 8 de março - dia Internacional da Mulher. Não tem cabimento eu falar FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER, PORRA!!1 pois é nesse dia que vocês tem que lutar por seus direitos. Notaram que por mais humanas que vocês sejam, vocês tem que lutar por igualdade? Bom, há também o caso dos negros, dos judeus, dos índios... lutem, mulheres. LUTEM!

A imagem da mulher é sempre aquela do "sexo frágil", né? Bom, muitas vezes vocês são mais fortes do que nós, tenho que admitir. Enfim, vocês tem que culpar o homem por essa imagem, afinal, tudo começou quando um homem inventou algo conhecido como... religião.


- MAS cheheeena, O QUE RELIGIÃO TEM A VER COM ISSO TUDO?

Ué, não lembra? A mulher era muitas vezes vista como "imagem do capeta". De resto, ela era simplesmente guardada e vendida pra um homem rico. Sabe, né? Tradição de família... essas coisas religiosas. Nesses filmes da era medieval, as mulheres que aparecem geralmente são hereges que vão ser queimadas por não crer em Deus. É sério, eu não vejo mulheres em filmes assim, mas só homens nojentos com um buraco sem cabelo no topo da cabeça. Ah, claro, tem mais - como já dizia a banda Não Religião : "virgem, tem que casar virgem... senão é pecado". Se você perdesse a virgindade antes do tempo, querida, você ia ser "zoada" pro resto da vida (isso se não te queimassem antes). Hoje em dia é ao contrário, né?

É no Afeganistão que, além das mulheres viverem escondendo o corpo inteiro com panos de 2 toneladas, elas têm seu clitóris cortado em público? Elas não podiam sentir prazer ao transar, elas tinham que ceder prazer ao seu companheiro e só. Fora que o cara pode ter 4 mulheres, né? Ou são mais?

Além de tudo isso, vocês são apontadas como "forma de dar prazer" em músicas e, é claro, em comerciais de cerveja. Mas o que mais me impressiona é que a religião tornou tudo mais difícil pra vocês, mesmo assim ela prevalece. Bom, mas vamos deixar esse papo de religião e o quão ela só fez mal pra vocês pra outro dia, afinal, religião é um assunto que quem vos fala adooooora comentar. Agora é hora de dar apoio pra vocês lutarem por uma vida melhor.

Alguém já disse que as mulheres sempre conseguem o que querem, e eu concordo. Basta ter coragem e fazer acontecer ao invés de ficar sentada esperando, ou lavando a cueca com uma freada de caminhão do seu marido, sei lá. Enfim, eu gosto de mulher (imagino que vocês até desmaiaram agora em frente á essa revelação), elas fazem um bem danado. E eu não estou prestes a escrever uma música e nem de abrir uma latinha de cerveja, mas eu tô falando que vocês são a "coisa" mais maravilhosa da face da Terra, sinceramente. Mas eu já sou comprometido, parem de dar em cima de mim.

Enfim, é isso. Hoje é apenas mais um dia, façam dele mais um dia foda. Ah, é claro, tenham muita fé em Deus!

Oh, me desculpem.

Parabéns, mulherada. Dá um abraço?
 

10 maneiras de esclarecer por que você está pelado

Vai dizer que você nunca foi pego pelado e ficou completamente sem saber o que falar?! E vai dizer que você nunca leu um monte de texto sobre esse assunto? Você já sabe o que dizer quando for encontrado pelado, não precisa ler isso aqui.

Bom, chega de enrolação.
10 - Sua outra personalidade te molestou

Básico. Você tem dupla personalidade, mas ninguém sabe disso. Lembre a pessoa que o encontrou nu sobre fatos estranhos que já aconteceram entre vocês dois e culpe a má personalidade. Essa desculpa só funciona se você estiver machucado, suando, sentado no canto do quarto, chorando e pensando em montar uma banda de Glam Rock. Caso contrário, solte a franga e diga estar apaixonado pela sua outra personalidade.
9 - Você foi abduzido

Essa desculpa só funciona se você teve sua irmã raptada por aliens quando você era criança, quando adulto trabalhou no FBI e agora, aposentado, é escritor e teve uma de suas melhores obras roubadas por uma adolescente. Caso contrário, fale que você é um ET e estava abduzindo alguém. "Não faça mais perguntas, meu povo não pode saber que eu contei pra você."
8 - Faz parte da sua religião

Só não é a mais eficaz porque você não pode mandar o cara PRA CADEIA se ele desrespeitar a sua religião. Enfim, fale que você é de uma religião rara, surgida nos tempos da pré-história. Vegetarianismo fazia parte dessa religião e, como naquela época todo mundo usava roupa de pele, as pessoas da sua religião andavam nuas. Se isso não for o bastante, finja ser um zumbi e coma a pessoa viva.
7 - Nem você sabe

A melhor de todas as desculpas pra qualquer situação. "Por que você está pelado?" - "OLOLCO, nem eu sei. Bom, melhor eu vestir algo. VLW"
6 - Você estava indo fritar bacon

A casa inteira fica com cheiro de gordura, principalmente a roupa de quem frita o bacon. E outra, é bacon, é quase - veja bem, QUASE - equivalente a sexo. Se a pessoa não entender, comece a rir da cara dela com uma expressão "Ah, esquece!" e continue andando. Não é pra fazer sentido mesmo.
5 - Chore

Chore bastante. Agaixe-se no chão e chore MUITO. Não diga nada, apenas chore. Se insistirem pra você falar, fale chorando, não vai dar pra entender nada. Depois de um tempo, tranque-se no banheiro e tome um banho. Ao sair, finja que nada aconteceu. Se perguntarem, faça cara de choro. Ninguém aguenta isso.
4 - Discuta

Se preciso, caia pra cima. Mostre quem manda ali. Mas lembre-se de que você está pelado, redobre a atenção ao se defender.
3 - Culpe o benflogin

"Remédio maldito, parece até LSD. Quem é você mesmo? WOW, cadê minha roupa?"
2 - Comece a dançar

Não dançar "dançar". Dançar DANÇAR:

1 - Peça-o(a) em casamento

Infalível. Ajoelhe-se, segure a mão de quem te pegou peladão e pergunte se ele/ela deseja casar-se com você. Dependendo de quanta banha você conseguir esconder mesmo estando pelado, você fica noivo ali. Aí, meu amigo, o jeito é esperar o "10 maneiras de se cancelar o casamento que você propôs quando estava pelado".