Texto de um dos meus primeiros blogs/sites,levem em consideração que era um adolescente escrevendo e divirtam-se.
Acontece que ali pros lados da rodoviária, perto de um conjunto habitacional, um certo fulano pede esmola há anos e anos e anos. Vale lembrar, claro, que não muito longe dele costumam figurar um velho sanfoneiro que troca música por moedas, alguns camelôs, às vezes hippies vendendo arame torcido e todo tipo de gente tentando todo tipo de coisa - mesmo que seja guardar carros ou conversar.
Acontece que ali pros lados da rodoviária, perto de um conjunto habitacional, um certo fulano pede esmola há anos e anos e anos. Vale lembrar, claro, que não muito longe dele costumam figurar um velho sanfoneiro que troca música por moedas, alguns camelôs, às vezes hippies vendendo arame torcido e todo tipo de gente tentando todo tipo de coisa - mesmo que seja guardar carros ou conversar.
A habilidade única do sujeito de quem eu falava, por outro
lado, é... nenhuma. O desgraçado passa o dia inteiro debaixo de um guarda-sol,
batendo a merda da caneca no chão, sem dizer uma maldita palavra, e acha que eu
preciso fornecer capital a ele simplesmente porque ele é - e muito - aleijado.
Que seja, ele tem braços e pernas retorcidos e imprestáveis, e uma bela
corcunda. Mas o que isso tem a ver com dinheiro? Talvez a ideia seja que eu - e
outros transeuntes locais - deva me sentir culpado por algo que nada tem a ver
comigo, ou que seja meu dever indenizar o cidadão pelo mal que a Existência lhe
fez.
Eu, por outro lado, já vejo essa coisa toda de esmola como
um investimento. Talvez me valha à pena pagar por um pouco de boa música na
sanfona, ou por uma lavagem razoável no carro, mas qual seria o retorno obtido
ao pagar pelo garoto do guarda-sol? Claro, vocês podem me dizer que seria o
ingresso do freak-show, mas, mais uma vez, lhes peço singelamente que vejam a
coisa sob o meu ponto de vista: Eu não preciso pagar. Não é como se ele fosse
andar pra fora dali. Heh.
O ponto é que essa ideia de que precisa existir algum
equilíbrio entre justiça e injustiça é completamente furada. Se existisse essa
babaquice de Destino, ele seria um ouvinte de Matanza ("Eu não devo a
ninguém, devo se tiver a fim, a minha vida é minha e a sua que se foda").
E o mais curioso é que mesmo depois de se foder seguidas vezes, esse tipo de
camarada continua com essa ideia - a de que o mundo precisa e vai recompensar
quem já nasceu fodido - na cabeça. Esperem sentados, vermes.
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