Da natureza humana


A discussão hoje é sobre um assunto bem polêmico, com todos os tipos de opiniões. Iremos discorrer sobre um questionamento que há muito vem sendo tratado pelos filósofos, e desconstruído pelos antropólogos. A pergunta é: Existe algum comportamento naturalmente intrínseco ao ser humano? Algo que nós somos independente da sociedade em que estamos inseridos, independente de fatores externos? Existe, de fato, uma natureza humana?

Para Aristóteles, o homem era naturalmente bom, mas este se degenerava devido a sociedade. Caberia indagar aqui como que um ser que é essencialmente bom, constrói uma sociedade decadente e autodestrutiva. A proposição de Aristóteles é um tanto otimista, e está fora do meu alcance formular argumentos que dêem suporte para sua teoria. Mas vale coloca-la aqui, para caso algum de vocês tenha algo para levantar na nossa discussão a esse respeito nos comentários.

Indo adiante, temos Hobbes e Locke com proposições mais interessantes sob meu ponto de vista. Ambos afirmavam que, apesar de Locke nos trazer o conceito de Tábula Rasa, nós somos naturalmente maus, mas que podemos alcançar uma sociedade ideal através da história e da ciência. Historicamente notaríamos a presença de diversos conflitos e tomaríamos uma posição para evitá-los visando um bem comum. Os conflitos gerados por alimentos ou abrigo seriam sanados pelo desenvolvimento científico, que se encarregaria de suprir todas as necessidades humanas através da tecnologia. Mais ou menos como coloca Asimov em "Eu Robô", que aliás, recomendo a leitura. E não, não tem nada a ver com o filme do Will Smith. [Spoiler] Pra quem não leu, basicamente os humanos colocam as máquinas para desenvolver todo o trabalho de distribuição de recursos, mantendo a sociedade igualitária. [/Spoiler]

Já para o final do século XXI, temos uma derivação do que diziam os contratualistas com Nietzsche, que afirma que o ser humano é essencialmente egoísta, que todas as suas ações se baseiam no ganho pessoal. Chega a ser obscuro pensar dessa forma, já que teríamos o altruísmo e o sacrifício sendo feitos com um objetivo pessoal. Será que temos uma satisfação ao ver crianças carentes felizes recebendo presentes? Visamos a nossa felicidade em saber que a pessoa amada saiu ilesa devido ao seu sacrifício de se atirar na frente do disparo? Essa proposição faz bastante sentido, mas ela é posta em cheque pelo que vem a seguir.

O relativismo antropológico afirma que não existe nada natural ao ser humano que exceda as suas necessidades básicas à sobrevivência. Todo o resto seria fruto de uma construção cultural que vem direto do berço. Essa desconstrução nos leva a ter uma certa esperança para o ser humano. Mas seria ela a correta?

Não há meios para se afirmar com certeza que quaisquer uma das proposições citadas está correta. Eu, particularmente, vejo como mais coerente o que Nietzsche trás para nós como natureza humana, apesar de o argumento antropológico fazer bastante sentido também. Enfim, argumentem.



Autor : L. Sena ~

Artigo Da natureza humana Publicado Por L. Sena Na data de 5 de mar. de 2012. Foram Feitos 0 Comentários: Para o Artigo Da natureza humana
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